Demissão: como saber a hora certa de dizer tchau

Demissão: como saber a hora certa de dizer tchau

Um dos momentos de maior tensão na vida de qualquer gestor é, sem dúvida, a hora de desligar um membro de sua equipe.

O tempo de trabalho, a intimidade construída e o companheirismo gerado pela convivência acabam ofuscando alguns fatores importantes, dificultando na decisão de demitir um membro do time. Às vezes somos muito mais guiados pelo carisma construído ao longo dos anos do que por métricas de eficiência.

Todos esses fatores humanos acabam ofuscando um pouco nossa capacidade de tomar decisões mais objetivas. No entanto, desligar alguém nunca é interessante: a pessoa é colocada numa situação difícil; a empresa tem todos os custos do processo de demissão e da curva de adaptação de um novo colaborador; e a equipe sofre um enorme choque pela sensação de instabilidade e o afastamento de um colega.

Por outro lado, ao desligar alguém que não está se encaixando bem no funcionamento da empresa é uma oportunidade de aprendizado. Quem está sendo demitido pode aprender com seus resultados, reavaliar sua posição no mercado, investir em conhecimento e até repensar a atividade que exerce. Para a empresa, existe a mensagem clara de que comportamentos ruins têm consequências, que existe certa tolerância, mas que também é esperado que as pessoas melhorem e corrijam suas falhas.

Dentro deste cenário, é preciso avaliar com atenção alguns pontos importantes para saber se realmente chegou a hora de cortar este laço.

O comportamento ruim vem piorando

Comportamentos nocivos são observados por toda empresa e normalmente são traços que quase todo mundo já comentou ou deixou escapar como opinião em algum momento.

O normal é fazer encontros individuais e sugerir mudanças, apontar como tal comportamento está afetando a equipe ou prejudicando o ambiente de trabalho. É comum que exista expectativa para uma mudança de conduta assim como um acompanhamento nos feedbacks, apontando se o esforço apresentado está surtindo efeito ou se o trabalho precisa ser intensificado.

O ponto crítico surge quando não existem melhoras no comportamento ou até mesmo observa-se uma piora na situação, demonstrando que o perfil daquele profissional não condiz com o que é esperado pela empresa.

A produtividade está caindo

Todos passam por momentos ruins, sendo comum que existam meses melhores e outros piores. Algumas oscilações nos resultados são esperadas e, até mesmo pela observação do time, entendemos que problemas particulares ocasionais acabam influenciando em como um profissional desempenha um dia ou outro.

O problema surge quando identificamos quedas muito longas e muito drásticas na produtividade de um funcionário. Ao nos depararmos com estas situações, é importante não só expor o problema e questionar os motivos, mas também ajudar a trilhar um caminho de recuperação e sugerir pontos de melhora.

O papel de quem coordena é tanto o de entender a situação, como o de ajudar a desenhar uma forma de a contornar, permitindo que alguém numa fase difícil possa se recuperar.

Em situações como esta, o alerta vermelho surge quando as ações sugeridas não são postas em práticas, permanecendo com as queda nos resultados e não apresentando interesse de melhora.

Muitas reclamações de clientes

Além do comportamento e das métricas de produtividade, também temos um outro termômetro importante para nortear a decisão de despedir um membro da equipe.

A opinião que os clientes emitem sobre o trabalho prestado por um profissional da sua empresa é decisiva para que os números sigam crescendo. Recolher críticas e pedir avaliações frequentes é fundamental para identificar atitudes que podem estar prejudicando todo o esforço de toda uma equipe.

Reclamações de clientes devem ser levadas muito a sério e, quando recebidas, é preciso discutir os pontos e planejar ações para que os erros não se repitam. No entanto, quando os feedbacks não são ouvidos e o comportamento segue recorrente, pode significar que você precisa de um outro profissional para desempenhar aquele papel.

Como líder, é importante que exista empatia pela situação de cada um dos membros do seu time. Todos em algum momento podem apresentar resultados ruins. De problemas emocionais e saúde a incidentes pessoais, oscilações esporádicas são até esperadas.

Mas infelizmente, quando curvas muito drásticas são identificadas, o caminho é apresentar o problema para a pessoa em questão, permitir que exista o reconhecimento do problema e a chance de mudar o cenário.

Se após uma série de feedbacks e tentativas de gerar mudança não forem identificados problemas, talvez seja mesmo o momento de dizer adeus.