É hora de voltar das férias

É hora de voltar das férias

Acabou as férias. Depois de um longo período de descanso, voltar ao trabalho pode significar, para muitas pessoas, um grande peso.

O sentimento é conhecido. Depois de um ótimo final de semana, não é normal ficar ansioso para trabalhar no outro dia. Quem constatou a falta de vontade de voltar para o trabalho depois do almoço?

Não sinta-se culpado pelo sentimento. Você não é o único. Apesar disso, provavelmente este sentimento pode ser um sintoma de um simples cansaço mental, físico ou até ser um indício de que seu trabalho realmente não lhe traz a satisfação mínima necessária. Difícil é saber qual dos dois acontece com você.

Acredito que a maioria das pessoas não gosta de seus empregos. De modo geral, creio que sentem-se presas a uma realidade da qual não faz parte no ambiente de trabalho. Odiar o trabalho é um das piores sensações de cárcere.

Um raio-x da coisa toda

Uma pesquisa publicada em 2015, mostra que 72% das pessoas estão insatisfeitas com o trabalho no mundo.
Ele ainda aponta que a insatisfação está diretamente ligada a: 89% dos casos com reconhecimento, 78% com excesso de tarefas e em 63% com problemas de relacionamento.

Isso quer dizer que os outros 28% dos profissionais vivem em ambientes que são reconhecidos, não tem muito trabalho e se dão super bem com todos? Claro que não. Mas, sem dúvida, a satisfação pode estar ligada a maneira como as pessoas percebem seu ofício.

Conheci a história de um jovem que realmente reclamava de não ser reconhecido no trabalho, e quando investiguei mais, ele estava numa grande multinacional há apenas 4 meses. Em contrapartida, sei de uma outra pessoa que simplesmente estagnou no seu cargo a mais de 15 anos e não espera mais reconhecimentos. A diferença aqui é como os dois olham o fenômeno.

Mas como começar isso tudo?

É claro que se você não gosta do seu trabalho, precisa entender que nem foi sempre assim.

É provável que costumava ir ao trabalho porque tinha em mente que seus valores e os da empresa eram semelhantes, que durante a semana, apesar de ter uma tarefas chatas, conseguia ver um valor maior naquilo que fazia pelo tanto que recebia em reconhecimento, em valores financeiros, em projeção de carreira. Alguma coisa o fazia entender que valia a pena estar ali.

Tive um trabalho que realmente não via a hora passar. Quando olhava no relógio, já era cinco da tarde. Naquele tempo, acontecia algo diferente quando eu sentava na minha mesa todas as manhãs, tinha uma sensação de excitação.

Todo mundo já deve ter sentido o alívio de poder contar com um emprego para projetar seu futuro e criar perspectivas mais promissoras.

Embora exista uma grande realidade moderna de independência, a maioria de nós parece amar a rotina. A tal da “zona de conforto” não nos ameaça quando estamos seguros do que queremos. No barco, evitamos a mudança. Agora, a deriva, queremos estar no barco. É do ser humano.

Durante este, que considerava meu melhor emprego, teve um momento em que percebi que as manhãs de segunda-feira me davam medo, tinha uma uma ansiedade ruim, um desânimo colossal. Não sei bem como, mas decidi que precisava de um novo balanço para minha situação ali.

A arte de tomar decisão

Foi então, que num final de ano, resolvi entrar na sala do meu chefe não para descarregar meus descontentamento e pedir para sair, mas para deixar ele ciente da minha insatisfação.

Eu acabei conhecendo muitas pessoas que realmente não se importam em realizar o mesmo trabalho por anos e anos, e outras que vivem pulando de companhia em companhia para ver se encontram o emprego dos sonhos. A questão aqui não é dizer o que é certo ou errado, mas é simplesmente entender que todo emprego tem um modelo. O que resta saber é se você consegue estar nele ou não.

Se você não gosta do seu emprego atual e acredita que exista um trabalho melhor lá fora, que poderá encontrar uma realidade que satisfará todos os seus dias nos próximos anos, não seja negligente com você e com as pessoas que confiam em você. O trabalho que te satisfará não virá até você.

Não mude de emprego sem mudar a sua mentalidade

Agora perceba, mesmo que eu consiga outro emprego, você precisa se livrar da sua mentalidade de que o trabalho é um lugar apenas de diversão e bem-estar. Você precisa expandir a sua realidade conhecida para um pensamento de futuro.

Experimente a mudança da sua cabeça ao longo do tempo, antes que precise se mover de emprego em emprego. Avalie se está aprendendo coisas novas na sua função atual, se existe uma orientação para o seu crescimento e se o desafio que está inserido te obriga a aprender, crescer e se adaptar.

Trocar de emprego pode ser uma das melhores coisas que você pode fazer pela sua carreira e por si mesmo. Agora, não mude de emprego, sem antes mudar a sua cabeça sobre o que você está fazendo de certo e de errado neles.

Você pode ser feliz no seu trabalho, mesmo que às vezes, tenha que fazer coisas que pareçam chatas. Tente coisas novas, experimente mudar e não seja apenas mais um vendedor qualquer.