Falta de motivação: como gestores podem ajudar funcionários

Falta de motivação: como gestores podem ajudar funcionários

Quase todos passamos por algo parecido alguma vez.

Estávamos desempregados e procurando um lugar para fazer nossa história. Passamos pela entrevista, encontramos novos desafios e fizemos novos colegas.

O começo é cheio de energia e vontade de realizar grandes trabalhos. Mas com o passar do tempo, a burocracia e a falta de espaço para experimentação vai nos deixando para baixo. Até fazemos um esforço para continuar, mas o ambiente não nos deixa crescer.

Sentimos que estamos ali apenas cumprindo tabela.

Por mais que exista vontade de vestir a camisa do time e deixar nossa marca na história da empresa, muitas vezes não conseguimos seguir. Os dias se tornam apenas uma cansativa repetição, e nossa energia de colaboração é dissolvida junto ao ambiente.

Agora somos apenas mais um de tantos outros funcionários desmotivados.

Do ponto de vista da gestão, é compreensível que nem tudo seja possível, que algumas vezes não seja viável deixar que todos os funcionários interajam de uma forma tão enérgica com a empresa. Para quem administra, quebrar a harmonia pode ser conflitante.

Mas como deixar os colaboradores motivados sem que a estrutura geral seja prejudicada?

Deixe que os funcionários se expressem

Apesar dos avanços nas liberdades oferecidas por empresas, principalmente depois da popularização do modelo das startups, ainda vemos empresa engessadas e que suprimem a expressão individual dos colaboradores. 

O modelo tradicional de empresas que bloqueiam com rigidez qualquer tentativa de expressão pessoal traz um efeito colateral forte. Com essa falta de flexibilidade, vemos que a motivação e a criatividade dos colaboradores é reprimida, quando não eliminada de vez.

Nenhum de nós quer executar uma função pré-programada repetidamente. Lá no fundo, todos queremos usar nossas **habilidades individuais únicas e nossa perspectiva individual para ajudar o grupo a alcançar os melhores resultados. **

Quando precisamos utilizar aquilo que identificamos como único em nós mesmos, sentimos que estamos mais vivos. Basta relembrar situações onde você sentiu que tinha voz e podia agir de acordo com sua perspectiva, para entender e poder usar sua expressão própria no trabalho é importante.

Um estudo apresentado pela Harvard Business Review relata, por exemplo, que quando pedimos para que novos funcionários escrevam e compartilhem histórias de quando desempenharam seu melhor, os recém chegados sentiam-se mais confortáveis para assumir suas características mais marcantes e tinham suas habilidades únicas valorizadas.

Os resultados mostraram que funcionários introduzidos ao time dessa forma eram mais felizes e tinham menos chances de pedir demissão.

Funcionários querem sentir que suas habilidades são reconhecidas e que podem adicionar o que puderem ao desenvolvimento da empresa. Algumas empresas até mesmo permitem que os funcionários criem seu próprio título de trabalho, como forma de decidir como querem destacar sua colaboração ao grupo.

Experimentos são importantes

Experimentação é um dos grandes pilares da inovação.

Como vimos com a metodologia lean de startups, tentativa, erro e pequenos ajustes sequenciais são parte do processo utilizado pelos grandes nomes da inovação para testar o mercado e identificar oportunidades.

Criar uma zona segura para testes não beneficia apenas negócios. Proporcionar um espaço onde colaboradores podem aplicar suas ideias e contribuir para o funcionamento da organização ajuda no aprendizado de novas habilidades e fortalece sua identificação pessoal como gerador de valor.

Assim como no desenvolvimento de produtos, empresas tornam-se mais eficientes ao incentivar que seus colaboradores pensem de maneira própria e testem suas hipóteses, observando como o ambiente responde às ideias apresentadas.

A busca por propósito

Propósito não é apenas uma palavra bonita para ser usada no discurso de fim de ano. O verdadeiro propósito que pode afetar a motivação de todos na empresa, está em **conhecer e fazer contato com as pessoas que são diretamente impactadas pelo trabalho realizado. **

Desenvolvedores de software, por exemplo, podem conversar diretamente com seus usuários finais para entender suas dificuldades, passar um período acompanhando como usam o software e aprender como cada detalhe, que as vezes nem imaginam, pode facilitar o dia a dia de quem está utilizando na ponta.

Um vendedor especializado pode dedicar um tempo na sua agenda para visitar seus clientes e entender como estão aproveitando o produto ou serviço contratado, observando de perto como alguns ajustes podem modificar o resultado de quem já é cliente e dos clientes que chegarão no futuro.

Conectar os dois mundos fornece a real dimensão e impacto do trabalho de cada um. É isso que nos dá um propósito maior todos os dias pela manhã. Quando você precisa olhar nos olhos de quem é afetado pelo seu trabalho, cada ação tem um novo e importante significado.