Tudo que não te contam sobre mulheres nas vendas

Tudo que não te contam sobre mulheres nas vendas

Trabalhar com vendas é desgastante. Uma vez que o contato constante com pessoas que , diferente das máquinas, são imprevisíveis.

E apesar de todos os fatores que comprovam quão desgastante essa atividade pode ser, o vendedor ainda é visto como uma figura que não precisa se esforçar.

Reza a lenda que vender, é moleza.

Mulheres são maioria no segmento de vendas

Ainda vistas como um gênero mais frágil ou extremamente sensíveis, ser mulher não é fácil. Se você for vendedora, então, piorou.

Desde a revolução industrial nós –mulheres – fomos vistas como mão de obra barata e substituível.

Embora naquela época não existisse muito poder de escolha, ainda tínhamos duas opções:

Trabalhar no lar e sem remuneração, ou se sujeitar a uma longa jornada de trabalho em funções mal remuneradas. Enquanto isso, os homens tinham uma situação relativamente melhor e eram mais respeitados.

Com o passar dos anos começamos a sair dos fundos das fábricas e fomos para a frente das lojas. No mesmo ritmo em que os homens dominavam os maiores cargos.

Cenário não muito diferente do atual.

Segundo a Abevd, as mulheres dominam 90% do mercado de vendas diretas. No entanto, esse dado diz mais sobre como somos vistas, do que sobre nossa capacidade de trabalho. Nossa aparência fez de nós as figuras certas para o comércio. É como se fosse um pacote adicional ao produto que a empresa vende.

Pela "facilidade" de sermos vendidas como um produto, as vendas parecem um lugar onde os homens não precisam estar.  Suas reais habilidades são mais levadas em em consideração, principalmente no segmento b2c – business to consumer ou empresa para consumidor.

Entretanto, as coisas não são muito diferentes no segmento business to business, mesmo sofrendo uma certa resistência maior para nos inserir. Isso, é claro, vai depender também do mercado que a empresa atua.

E embora o cliente final mude, as dificuldades continuam as mesmas.

Ainda sim, se engana quem acha que essa discriminação parte somente das empresas. Se você – mulher – trabalha com vendas, provavelmente já deve ter escutado:

“Você não consegue me ajudar, tem algum superior com que eu possa falar?”

Mas se somos maioria, como ainda somos vistas como minoria?

Os maiores desafios de uma mulher vendedora

Denise, 34 anos de idade, trabalha a 8 anos em uma grande empresa tecnológica – no centro de Bauru, São Paulo –  é a funcionária mais velha do setor de vendas. Cerca de 5 meses atrás, participou de um evento de capacitação profissional – como de rotina – para mulheres. Seu trabalho até então nunca tinha sido fator de dúvidas, pois sempre se sentiu extremamente respeitada e valorizada.
Porém durante uma dinâmica para integração no evento, foi questionada sobre sua remuneração, e se sentiu extremamente desconfortável, ao revelar o montante e receber olhares curiosos .
Denise que sempre foi pontual, raramente se ausentou, e possuía uma eficiência superior aos três colegas de setor, começou se questionar o que havia de errado com seu salário. Resolveu então investigar e questionar quanto recebia seus colegas, todos homens. Foi só então que percebeu a grande lacuna salarial que havia entre eles.

Como no caso de Denise, apesar de desempenharmos as mesmas funções, ganhamos no máximo 87% do rendimento anual de um homem. Imagine então o que pode acontecer em cargos comissionados. Essa diferença salarial está presente em todas as profissões, incluindo vendas.

Denise, suas habilidades e desempenho não estão sendo levados em consideração.

Entretanto, essa foi apenas a primeira percepção de Denise.  Ao  longo das semanas começou a perceber outros fatores inusitados sobre sua função:

Na segunda terça-feira de maio, Denise chegou mais cedo, como de costume e se preparou para entrar em uma reunião com seu lead. Durante esse contato percebeu que ele não estava de fato focado na ligação. Ao tentar retomar a atenção, acabou combinando outra data, ignorou sua resposta e finalizou a chamada. Denise fez o registro do contato em seu CRM e continuou com sua rotina.
Na quinta feira daquela mesma semana, retornou o contato como solicitado. Mas o cliente protestou que estava ocupado e era uma hora inoportuna.
Logo em seguida pediu para falar com seu gestor e explicou a situação. Denise, que tinha tudo registrado, acabou levando uma advertência.

Essa situação só exemplifica que nossa palavra raramente tem o mesmo valor que a de um homem. O ambiente de trabalho pode ser cruel, uma mulher que trabalha com vendas pode passar diariamente por essas situações:

  • Desrespeito;
  • Ser humilhada ou xingada;
  • Diferenciação de tratamento;
  • Mansplaining e Manterrupting (termos que se referem a homens tentando explicar ou interrompendo mulheres durante suas falas).

Saiba mais: Bruna Aires comenta os desafios da mulher nas vendas.

Assim como nossas habilidades também não são levadas em consideração, e enfrentamos uma dificuldade maior para subirmos dentro das empresas.

Transformando desafios em conhecimento

Inegável que estar em um ambiente de trabalho onde se é menosprezada e não tem o seu real valor reconhecido é desgastante. Estamos inseridas numa cultura que beneficia os homens. Escutamos desde muito cedo que devemos aceitar, e não rebater, esse tipo de comportamento.

Para começar a quebrar esse muro que nos separa, devemos ser as primeiras a remover os tijolos.

A falta de crença em nós mesmas é o principal fator que continua alimentando esse comportamento.

Embora já estejam discutindo formas de trabalhar essa desvantagem, algumas atitudes podem ser tomadas:

  • Questione seu líder sobre a diferença salarial;
  • Quando for interrompida durante sua fala, não se abale. Peça gentilmente para a terminar seu raciocínio. Não se cale, é o seu espaço;
  • Caso sofra mansplaining, rebata perguntando o motivo de estarem explicando o que você acabou de dizer;
  • Não tenha medo de ser você mesma.

Mas cuidado: No momento em que você aponta o dedo ou questiona o comportamento dos seus colegas de trabalho, um conflito pode ser gerado.

Apesar dessas "respostas" serem uma formar de se impor, ficar entrando nesse quesito constantemente pode ser perigoso e levar a demissão.

É preciso prudência quando for rebater um desses comportamentos. Redobre a atenção na forma que voce fala e onde se fala.

Um comportamento agressivo, não agrega sua luta.

Empodere-se!