Não seja um gestor mala, mas um mentor melhor para outras gerações

Não seja um gestor mala, mas um mentor melhor para outras gerações

Está cada vez mais difícil entender o papel do gestor no meio de um monte de nomenclaturas alfabéticas que damos para classificar as gerações. Embora muita gente sempre tente entender quais são as características, exigências e demandas de uma geração, é evidente que todas elas sofrem de uma crise de referências frente ao novo mundo.

Sempre que uma geração mais moderna ocupa os postos de trabalho e começa a transformar o mercado é acusada de todas as generalizações possíveis. As gerações anteriores sempre acreditarão que a sucessora é pior que a dela criando uma dificuldade em aceitar que alguns pontos precisam de uma inovação.

Do mesmo modo, as chamadas "gerações transformadoras" adquiriram um vício de rejeitar por esporte aquilo que parece tradicional e conservador, tendo um certo desprezo juvenil por aquilo que deve permanecer como está porque sempre funcionou bem.

O momento e lugar da transformação

O fato é que todas as transformações naturais acabam tendo que obrigatoriamente reavaliar cenários, reconstruir pilares danificados e restabelecer características para lidar com um novo modo de ver o mercado e os comportamentos.

Neste sentido, os gestores precisam aprender que qualquer geração que está chegando é ansiosa para entender melhor para onde vai desenhar o seu futuro enquanto a que passou tem muito o que oferecer não só de experiência, mas de inteligência conhecimento, know-how e bagagem.

Há uma longa discussão no mercado sobre como gestores precisam lidar de maneira mais assertiva com uma geração aparentemente mais ambiciosa, que aumentou a quantidade de tempo em que trabalha e como encaram a concentração e a dispersão de foco naquilo que é importante.

De um lado, a pressa de conquistar o mundo inteiro, do outro a experiência de quem já andou muito. Elas não são formas excludentes, mas sim complementares.

Como criar maturidade sem ter tempo para errar

Há sempre uma certa imaturidade em qualquer geração que a faz cometer erros fundamentais. Nesse sentido, é preciso sempre ter alguém mais veterano e que já aprendeu a lidar com alguns traquejos da correria do mercado de trabalho.

Não só a dinâmica do mercado acelerada não reserva um tempo para que a geração novata erre enquanto amadurece, como é possível realizar mentorias, treinamentos e encontros para transmitir legado de experiência.

Isso quer dizer que ao mesmo tempo em que a geração mais nova se fixa em cargos de responsabilidade e ocupações importantes dentro de uma empresa, tem, em contrapartida, uma grande dificuldade em reagir de maneira emocionalmente madura a todas essas responsabilidades e compromissos.

Por outro lado, a postura da geração mais vivida não tem sido das melhores. Preocupam-se apenas em focar em gabar-se das suas bagagens e não sabem encarregar pessoas sem ter a certificação de que a geração que antecede a sua está realmente pronta.

Chamar a próxima geração de sem compromisso, subestimar suas competências dela ou acreditar em clichês não ajuda em nada na construção de uma gestão mista e equilibrada.

A geração mais complicada é a mais competente?

A nova geração é mais imediatista, tendem a ir numa velocidade mais acelerada, são viciados em novas informações, tendem a ter um quadro emocional mais sentimental, possuem um senso de direitos mais aguçado e focam suas vidas em experimentar o mundo de uma maneira diferente.

Não adianta, dentro desse cenário, apenas criticar sem que haja realmente um interesse genuíno em utilizar dessas características de uma maneira bem mais proveitosa, trabalhar as suas expectativas, colocá-los diante de desafios. Isso cercado de um bom salário e uma perspectiva maior de utilidade, pode ser uma grande força para empurrar gerações ao resultado.

Cada geração tem seu drama. Quando comparamos gerações estamos na verdade, ignorando que o senso de realidade é distintos. A geração mais jovem tende a não olhar somente para as posses que conquistaram ou seus cargos nos crachás, mas tende a investir e perceber avanço a partir da quantidade e intensidade das experiências que atravessam.

Isso não só quer dizer que o sucesso para ambas gerações significam atingir objetivos diferentes, mas que, como gestores precisamos conhecer cada vez mais quem são as pessoas da nossa equipe mais de perto e entender como eles enxergam progresso a partir da ideia de estabilidade, garantias, propósito, posições, valores, mobilizações e sensações.

Descobrir quais são os mobilizadores - sociais, emocionais, éticos, morais - de pessoas é não só uma nova tendência de gestão de sucesso como também uma ferramenta importante para criar equipes altamente competentes e satisfeitas empurradas pelos desafios certos.

Atue como mentor e conquiste pessoas certas

Somos capazes de aprender mais e numa velocidade maior quando estamos juntos. Como mentor precisa aprender a canalizar habilidade da geração que coordena.

Profissionais de hoje em dia precisam trabalhar com a diversidade de ideias, enfrentar suas barreiras culturais, físicas e sociais, ter uma sede intensa por inovação e favorecer pessoas na hora de empreender mesmo dentro de um negócio.

Se você conhecer melhor sua equipe, será capaz de ser mais compreensivos, desenvolver paciência e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, criar um ambiente mais desafiador na medida certa, será capaz de delegar e confiar nos membros da sua equipe com mais tranquilidade.