Como ser medíocre parece bom, mas está acabando com você.

Como ser medíocre parece bom, mas está acabando com você.

“Não aguento mais meu trabalho.” Todo mundo em algum dado momento da vida já esteve de saco cheio da sua profissão, da sua rotina ou das tarefas repetitivas. Aliás, talvez você tenha pensado isso hoje mesmo. Você se cansou de ser um medíocre.

Alguns episódios do nosso dia-dia podem realmente nos colocar diante de um desânimo. Eles variam desde constantes metas abusivas, um relacionamento complicado com um colega de trabalho, determinada atitude de um gestor, a cultura de um ambiente competitivo demais ou quem sabe um senso de inadequação devido a uma decepção ou um fracasso pontual. É normal.

Tem horas em que não conseguimos mais pensar em outra coisa a não ser chutar o balde. Existem realmente situações que não podem ser contornadas, mas boa parte delas pode ser um reflexo absoluto de uma postura passiva demais diante dos desafios.

Quando recebi meu primeiro grande desafio profissional, lembro de ter hesitado o máximo possível. Não me achava competente para aquela tarefa, tinha medo de não ter um sucesso esperado, mas na verdade eu percebo hoje que era puro medo de ter que assumir algo e resolver. O medo do fracasso não me deixava ter uma postura ativa diante das decisões. Sempre acabava perguntando para todos antes de tomar qualquer atitude.

De que lugar saem os as pessoas de atitudes passivas?

Difícil responder com toda certeza. Até porque existem muitas variáveis que podem influenciar em nossas personalidades. É uma soma de referenciais, experiências, traumas, vivências e acontecimentos que nos empurram para quem nos tornamos.

No entanto, tenho uma pista de que a origem dessa passividade é fruto de um comportamento sempre de ser mandado. Quando somos crianças, sempre estamos acostumados com pessoas nos dizendo o que podemos e devemos fazer e o que não.

Nossos pais, nossos parentes, nossos professores, nossos patrões. Estão sempre decidindo por nós. Na vida adulta, já emancipado, cheio de responsabilidades, muitas pessoas tem a dificuldade de saber o que fazer ou quando não saber realmente agir.

Sempre houve alguém para nos dizer o que fazer, isso acaba sempre gerando uma passividade viciante.

Como adotar uma mentalidade ativa?

Apesar das minhas reservas quanto ao assunto, de modo geral, lembro que um das lições que aprendi no exército foi um conceito que carreguei para a vida toda. Um dos comandantes nos dizia que a nossa passividade pode significar a morte de um monte de gente em caso de guerra.

Hoje, penso que ele tinha razão. Imagina só você precisando tomar uma decisão em poucos segundos? Na batalha, passividade faz vítimas. Eles chamavam isso de disciplina consciente, ou seja: Não espere ninguém fazer algo por você. Se a tarefa foi lhe delegada, você é o responsável por ela.

Além disso, uma outra história que me ajudou muito foi sobre um gestor que eu tinha em uma das empresas que trabalhei que para evitar justamente transferências de responsabilidades ou passividade viciante inseria uma cultura que dizia:

“Se você identificou um problema, você é agora o responsável ou por resolver ou por notificar quem deve resolver.”

Com isso, ninguém mais ficava com a mentalidade passiva esperando alguém resolver por um acaso aquela situação. Foi isso que nos ajudou sempre a adotar uma mentalidade ativa dentro das equipes.

O primeiro passo é saber que a passividade é ruim

Não ser responsabilizado pode parecer uma das melhores vantagens. Ficar nos bastidores pode não parecer muita responsabilidade, mas sem dúvida pode ser um lugar do tédio. Boa parte das pessoas que não estão satisfeitas com seus trabalhos são justamente aquelas que menos conseguem notar sua passividade.

Um vendedor que fica esperando os clientes se interessarem por seus produtos sem criar novas maneiras e formas de atraí-lo não pode reclamar que está sempre no mesmo patamar de vendas.

Conheço história de muitos vendedores que vivem apenas tirando os mesmos pedidos, dos mesmo fornecedores por anos e anos. Pode até funcionar hoje, mas essa passividade vai acabar com o seu negócio ou sua carreira um dia. E não está muito longe.

A cabeça de passividade não é boa. Embora pareça segura, é justamente por isso que é perigosa. Nutri em nós a falsa ideia de que tudo está garantido.

Aprenda a comprometer-se com a cultura de aprendizado constante

O jornalismo me fez uma pessoa muito curiosa. Isso me fez ter experiências na vida e profissionais que jamais acreditei que conseguiria. Essa cultura de aprendizado constante nos forma pessoas mais preparadas e plurais para este mundo cada vez mais diverso e exigente.

Se você olhar para qualquer profissional que realmente admira dentro do seu mercado, notará que o que mais lhe levou a posição que está foi justamente a sua curiosidade e a sua constante luta por saber sempre mais um pouco sobre algo diferente ou novo. Aprender novas maneiras de fazer seu trabalho pode também te ajudar a sair do mesmo.

Conheci um cara que depois de ter trabalhado por anos como contador, resolveu se tornar advogado, atuou por quase 10 anos e me contou recentemente que agora quer trabalhar com pintura e artes plásticas. Apesar de nunca se ver vivendo disso no passado, ele me contou que ficou interessado neste assunto, fez diversos cursos com o tempo que tinha e sem querer criou uma rede de interessados em sua obra. Isso sim é mente nada passiva.

E como usar isso para meu desempenho e negócio.

Boas dicas são sempre bem vindas. Quando falamos de adotar uma mente ativa, claramente estamos falando de

Mentalidade ativa = Esforço + Disposição + Organização + Recursos.

Não adianta simplesmente acreditar que esforçar-se fará por si só uma pessoa mais ativa. Precisamos também que tenha uma disposição verdadeira para esta mudança, isso quer dizer quebrar fortalezas de pensamentos que o levam para uma ideia equivocada da realidade.

Além disso, se quer mesmo estar mais disposto a ter uma mentalidade ativa, vai precisar organizar realmente uma rotina que te ajude nisso. Ser ativo quer dizer aprender a estruturar melhor sua realidade. Por falar nisso, essa mudança também exigirá uma gestão de recursos, isso quer dizer, dinheiro, tempo, energia…

O mais importante sobre adotar uma mentalidade ativa é ser realmente comprometido com o aprendizado. Não importa se no começo você não for tanto disciplinado, continue tentando.

Convivi com uma pessoa que me ensinou uma ótima maneira de sair do lugar comum. Ela chamava de regra do 3,2,1… vai! Tem uma louça para lavar? Um relatório para escrever? Um trabalho para terminar? Um passeio com o cachorro? Não fique criando muitos problemas, conte 3, 2, 1, levante e vá fazer.

Se conseguir fazer isso algumas vezes, logo se acostuma e verá que sua mente é bem mais ativa antes. Isso trará muito mais resultados. Se não trouxer, é melhor rever bem mais a fundo.