O que faz um bom líder?

O que faz um bom líder?

Ser um bom líder não é fácil.

É comum nos enxergarmos como líderes naturais, agindo por impulso e seguindo sentimentos, na crença de que estamos fazendo o que é melhor para a equipe e a empresa.

Uma recente pesquisa da The Hartford identificou que 80% dos jovens se enxergam como líderes. Observando um número alto como este, é de se imaginar que existe um comum autoengano sobre o que é um líder e quais são as características que formam uma figura de liderança.

O Journal of Pratical Consulting divulgou um estudo examinando as características de pessoas identificadas como líderes natos, gente que supostamente nasceu destinada a liderar.

No estudo, R. Leweis Steinhoff aponta que algumas pessoas podem possuir alguns traços que são identificados como habilidades de liderança, mas que nem sempre se manifestam de acordo com sua vontade. Para que o comportamento apareça é preciso que algo os leve a isso, que algum problema impulsione determinada ação.

Para Steinhoff a conclusão geral é que ninguém é geneticamente programado para liderar, mas que os comportamento que pode ser manifestado em algumas dessas pessoas pode ser ensinado e praticado, tornando-se uma habilidade real.

Mas quais seriam estas qualidades? O que sabemos sobre os traços que fazem grupos trabalharem de forma mais eficiente e alcançar resultados mais sólidos?

Alguns mitos sobre liderança

Antes de falar sobre as características que devem ser trabalhadas por quem deseja ser um líder, devemos quebrar alguns mitos envolvendo liderança.

Liderança não é tempo ou posição hierárquica:
Muita gente acha que liderança está ligada ao tempo que alguém está na empresa, sendo associada aos cargos seniores ou com qualquer outro tipo de posição hierárquica.

É possível que a experiência ensine o que é necessário, mas não existem garantias.

Liderança não está ligada a títulos:
Não é um cargo executivo ou um diploma de pós-graduação que faz um líder. A maioria dos líderes conseguem exercer influência e liderança em suas turmas da universidade, no condomínio onde moram e em outras situações que independem de títulos.

Liderança não está ligada a atributos pessoais:
Achamos que pessoas extrovertidas e carismáticas lideram com mais facilidade, mas essa impressão é apenas superficial. Mas quando observamos a história, vemos que existiram grandes lideres que não eram extrovertidos ou possuíam características como estas.

Liderança não é gerenciamento:
Gerenciar é uma necessidade, mas bons gerentes nem sempre são bons líderes. Características como essas podem existir em conjunto, mas não são dependentes uma da outra.

As características de um bom líder

David Wheeler, pela Harvard Business Review, entrevistou 195 líderes em 15 países. O pedido foi que escolhessem em uma lista com 74 opções, as 15 competências mais importantes para um bom líder.

As 10 características mais votadas podem não surpreender muito, mas assustam por serem muito difíceis de se dominar. Muitas delas dependem de lutar contra a própria natureza humana.

  • Altos padrões éticos e morais

  • Fornece metas e objetivos com direções e guias mais livres

  • Comunica expectativas com clareza

  • Tem flexibilidade para mudar opiniões

  • Está comprometido com o contínuo treinamento da
    equipe

  • Comunica-se frequente e abertamente

  • Demonstra abertura para novas ideias e abordagens

  • Cria o sentimento de ser bem sucedido e falhar junto da equipe

  • Ajuda a equipe a crescer como uma nova geração de liderança

  • Fornece segurança para tentativa e erro

David Wheeler também teve o cuidado de organizar as 10 competências mais votadas em 5 grupos amplos e que pode nos ajudar a entender melhor onde podemos trabalhar para sermos líderes melhores e mais eficientes.

Forte ética e segurança

Duas características que juntas servem ao propósito de construir um ambiente seguro e confiável.
É importante para quem está sendo liderado sentir que ambos estão seguindo as mesmas regras e que os acordos serão honrados. Da mesma forma, pessoas seguras conseguem relaxar e focar sua energia na resolução de problemas com mais criatividade.

Auto-organização

Um dos grandes problemas repetidos por muitos líderes é crença de que devem decidir tudo sozinhos, por conta própria.

No entanto, estudos mostram que dar o poder para equipes e profissionais se organizarem proporciona maior eficiência e proatividade, apresentando maior qualidade na prestação de serviços, na satisfação com o próprio trabalho e compromisso com o time.

Aprendizado eficiente

Assumir que estamos errados é difícil, temos uma forte inclinação em nos proteger e não assumir nossos erros. No entanto, quando não assumimos os erros ficamos incapazes de extrair lições com o processo.

Antes de esperar que funcionários aprendam e assumam seus erros, líderes devem aprender a mudar de opinião e assumir os próprios enganos. Um líder deve sempre abordar uma conversa disposto a assumir opiniões novas e mudar se for necessário.

Incentivo em crescimento

Todos sabemos reconhecer demonstrações legítimas de preocupação. Quando entendemos que líderes estão comprometidos com nosso crescimento é natural assumir uma postura mais aberta e leal.

Ser liderado pelo medo pode forçar um aumento da capacidade geral, mas os resultados que temos quando trabalhamos compelidos pela admiração mútua são ainda melhores. Quando queremos extrair o máximo de um grupo, o mais indicado é demonstrar compromisso com o crescimento individual e desfrutar da reciprocidade do sentimento.

Ferramentas como o Moskit CRM fornecem uma visão ampla do desempenho da equipe, fornecendo dados para reconhecer pontos de dificuldade e planejar onde cada uma das pessoas pode crescer e se desenvolver.

Conexão e pertencimento

Somos seres sociais. Temos enorme necessidade de sentir que fazemos parte de algo maior. É assim que, como sociedade chegamos até aqui. Grupos criando conexão e agindo por algo maior.

Criar essa conexão é um dos principais papéis de um líder, garantindo que todos se vejam como iguais, enxerguem seu valor para o processo e que um está dando cobertura para o outro.

Mais qualidades pessoais e menos rigidez

A consultoria em recursos humanos Robert Half também divulgou uma pesquisa envolvendo milhares de executivos do mundo todo, elencando os 3 principais atributos de potenciais líderes.

  • Integridade: 46%
  • Justiça: 45%
  • Mentalidade colaborativa: 39%
  • Firmeza de decisão: 22%
  • Mentalidade estratégica: 32%
  • Transparência: 33%
  • Acessibilidade: 33%
  • Competitividade: 30%

Os estudos são bem coerentes entre si e demonstram uma forte direção para uma liderança mais empática e menos autoritária.

Quando se trata das pessoas que lideram os grupos, profissionais aplicam maior ênfase em qualidades individuais do que em modelos rígidos que focam apenas no negócio.

É claro que experiências individuais podem mudar a percepção geral sobre o assunto, mas é sempre importante observar o que a experiência e as pesquisas nos apontam.

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