Você não precisa ser sempre o melhor em tudo

Você não precisa ser sempre o melhor em tudo

Embora a frase do título seja bastante óbvia, sabemos que o mundo de vendas é uma competição interminável. Todo mundo quer ser o melhor!

Muitas vezes, não há folgas para descansar a mente. Tem dias que clientes parecem não entender o que explicamos, são ligações atrás de ligações, a caixa de entrada fica lotada de e-mails a responder. É realmente muito difícil aceitar que não conseguimos ser sempre os melhores em tudo.

Existe, dentro de nós, um desejo de ser sempre notado como os melhores profissionais do mundo. Não estou falando de ter um reconhecimento natural e orgulhar-se do bom trabalho, mas dessa ânsia de querermos ser reconhecidos como fortes o suficiente para aguentar pressão e bons o bastante em tudo que fazemos.

Talvez isso acorra porque acreditamos que somente assim nossos chefes ou nossos funcionários vão enxergar valor em nós, vão nos respeitar ou ter um lugar ao sol. Nos identificamos com o trabalho como parte da nossa própria avaliação como ser humano. A novidade é que você não é seu trabalho.

Essa competição é realmente muito exigente. Embora ninguém goste de assumir, nos comparamos aos outros e até somos capazes de competir conosco mesmo. Mesmo os músculos mais fortes do mundo precisam de descanso para recuperar-se. Por alguma razão, precisamos sim falar sobre esta ideia de é virtuoso apenas alguém extremamente competitivo.

Aprenda a respeitar-se

Estamos em um cultura que cultua o workholic, e como diz este texto isso é realmente uma das coisas mais venenosas do nosso tempo. Acabamos nos permitindo entrar em um ritmo maluco dentro de um universo corporativo e sofrer com a guerra dos tubarões sem ao menos conhecer-se bem.

Na real: O trabalho não precisa ser um vale-tudo. É possível fazer-se um bom trabalho, ganhar destaque dentro de uma carreira sem precisar chegar ao completo esgotamento.

É claro que, eventualmente, teremos sim que abrir mão de um ou mais coisas da nossa vida para gerar um resultado profissional, mas ganhar dinheiro e reconhecimento tem também seu preço. Aprender a respeitar seu limite é o que te fará conhecer mais sobre seu rendimento.

Como escrevo profissionalmente, estou sempre com deadlines curtos. Trabalhar criando em alto ritmo influencia inclusive, no meu caso, no meu rendimento de produção. Fazer mais do que consigo, no meu caso, compromete a qualidade.

Essa ideia vigente de que o mundo corporativo recompensa os imbatíveis, premia aqueles que renunciam mais, que dão mérito a quem esforça-se além do comum e que a vida de sucesso é reservada aos que trabalham mais tempo não é verdade. Pelo menos, não totalmente.

Ninguém pode trazer controlar tudo

Embora pareça verdade que muita gente de destaque estava acima da média de produção e por isso conseguiu um certo destaque, não podemos esquecer que o sucesso é uma ideia não só de esforço, mas de precisão.

Dizem que um dos melhore jogadores de futebol do mundo, Cristiano Ronaldo, ficava até mais tarde treinando depois que seus colegas iam embora. Não duvido. Quando vejo ele cobrar uma falta, logo vejo o domínio preciso dele. No entanto, Cristiano não tornou-se um destaque apenas por treinar mais que os outros. Quantas são as histórias de garotos que se esforça tanto quanto ele, mas que não chegam ao sucesso?

Não devemos desconsiderar que existam coisas externas, fatores e situações que influenciam na maneira de atingir um objetivo. E isso, amigo, não está no seu controle. Seu trabalho e preparar-se e fazer o melhor trabalho que conseguir, mas nem tudo é tão simples assim.

Lembra daquela apresentação que fez para um cliente, que parecia estar tudo bem, você sentiu que deu o seu melhor mas não conseguiu vender? Pois é, ser o melhor não basta. Existem coisas que não estão no seu controle.

A complexidade da vida está além do sim ou não.O mundo não é binário e você não precisa acertar sempre. Nada é perfeito, apenas não deixe de melhorar.

Como o perfeccionismo afeta a autoestima

Por favor, nunca mais responda numa entrevista de emprego que seu maior defeito é ser perfeccionista. Todo mundo vai saber que você quer apenas dizer que seu pior defeito é fazer tudo certo. E a gente sabe que não é verdade, não é?

Descobri com o tempo que não é legal perceber-se como aquela mega profissional. Precisamos aprender a olhar para nós mesmo antes de montar uma imagem externa totalmente equivocada sobre si.

Nossa visão de nós mesmos passa pela nossa autoestima, pela nossa noção de auto eficácia e como percebemos os eventos da nossa vida. Por isso, estamos sempre colocando em cheque a noção de quem somos.

A grande dica aqui é: aprender a ser perfeccionista não necessariamente pode significar ser uma pessoa altamente produtiva. Pode até te fazer bem acreditar que é uma pessoa diferente das demais, mas se tiver coragem de notar-se com sinceridade, podemos trabalhar melhor a nossa autoestima.

Lembre-se, acreditar em uma autoimagem irreal é tão danoso como não reconhecer suas qualidades. Ao conhecer nossas dificuldades, temos mais chances de agir em direção da mudança. A nossa noção da própria eficácia também precisa ser tratada com mais cuidado. A capacidade de obter sucesso está totalmente ligada no reconhecimento de como podemos agir diante das tarefas.

Eu, por exemplo, gosto muito de assuntos ligados a tecnologia de alta ponta, mas jamais me atreveria a trabalhar numa área de conhecimento como esta. A sua capacidade de ser eficiente é justamente a sua noção do que é realizável.

Perfeccionistas sofrem e podem minar sua auto estima, e isso esta ligado com a maneira que percebem o controle (ou a falta dele) que tem (ou não) sobre os eventos das suas vidas. O perfeccionismo é uma erva daninha para a autoestima.

Como lidar com toda esta bagunça mental?

Antes de mais nada, a melhor forma de lidar com problemas ligados a autoestima, perfeccionismo, exigência fastidiosa e cobrança alta de si mesmo é buscando um profissional. Ponto. Se a coisa saiu do controle, melhor procurar uma ajuda.

Mesmo assim, gostaria de fornecer aqui alguns caminho que eu mesmo tenho feito em minha vida.

Muita gente se pergunta se é possível ter uma vida com mais autoestima. Claro que esta é uma questão bem mais complexa. Não acredito em alguém imune aos efeitos de uma dúvida, de um momento de falta de potência, de um dia ruim, mas é possível criar uma espécie de aumento de imunidade para fortalezas mentais.

Quando recebo elogios, confesso que não sei lidar. Fico sempre sem reação. E não é porque tenho falsa modéstia, é justamente porque eu me conheço tanto que tenho tendência a colocar em evidências minhas falhas ao invés de considerar meus sucessos. Todo mundo é assim. Exceto os lunáticos narcisistas.

Foi então, que coloquei-me a pensar sobre as crenças ou a confiança que que empenhava nas minhas capacidades de completar tarefas e objetivos, e descobri que consigo me sentir capaz mesmo diante de desafios grandes, sou capaz de resgatar momentos da vida em que acreditei ter um potencial menor e consegui entregar resultados.

Isso me faz sempre ter em mente que, embora eu não consiga algo, o jeito mais fácil é covardemente desistir. É desse jeitinho que devemos nos desviar.

Comecei perceber com o tempo que não controlava o mundo e os eventos que acontecer na vida. Desde aqueles mais internos até o mais externos, mas podia sim planejar com detalhes boa parte das minhas ações e talvez ter planos de contingências possíveis para cada um deles.

Aprenda a viver trabalhando com as suas margens de ação

Acostumei-me a analisar as minhas ações e entender até onde foi minha participação para os fracassos ou o sucesso. Comecei a olhar para os resultados e buscar minha responsável nele.

Regular a autoestima a partir de da autopercepção de eficiência é que está o perigo. É por isso que muitos vendedores conseguem entregar resultados, mas não conseguem perceber-se da maneira correta.

De uma vez por todas, tentar ser o melhor de todos em tudo vai te afastar da sua natureza, vai acabar com paciência, vai te colocar num local de sofrimento antecipado e vai te impedir de valorizar seus sucessos anteriores.

De uma vez por todas, acreditar que você precisar ser o pica das galáxias em tudo vai te impedir de trabalhar naquilo que precisa melhorar efetivamente, vai te confundir naquilo que realmente é essencial para você. Não precisa ser perfeito, mas procure-se conhecer, faça questão de entender como pensa e o que te empurra para frente e o que te deixa imóvel.

Já que não temos como fugir de um mundo totalmente exigente, que tal entrar na era da alta performance, do empreendedorismo de desempenho, de afazeres cruéis demais com a cabeça mais equilibrada ou pelo menos tentando ser entender-se mais? Não resista a ajuda.

Faça o que tem que fazer, e bem feito, mas não esqueça de você.